Em Guarantã do Norte, a Câmara Municipal protagoniza mais um episódio de politicagem em plena luz do dia. Em coletiva, vereadores afirmaram que a ação judicial resolveria o aumento do IPTU. No entanto, a própria ação ignora a origem do problema: uma lei aprovada por eles mesmos em 2020.
A promessa e a realidade
Na coletiva, o presidente da Casa, Celso Henrique Batista, anunciou que a Câmara havia movido ação judicial contra a Lei Complementar nº 341/2024, que altera regras do IPTU. A expectativa criada foi de solução imediata para os contribuintes.
Porém, tecnicamente, o aumento mais significativo do imposto em 2026 vem da Lei Complementar nº 292/2020, sancionada há seis anos, e não da lei contestada. A Lei nº 341/2024 representa apenas um ajuste adicional de cerca de 10%. Ou seja, mesmo que a ação prospere, o impacto sobre o IPTU será mínimo.
“Na coletiva, prometeram solução. Na ação, ignoraram a causa.”
A contradição central
A ação proposta não enfrenta a lei que gerou o aumento, justamente aquela aprovada pelos próprios autores da denúncia. Enquanto atacam a lei de 2024, os vereadores evitam mencionar 2020 e deslocam o foco, tentando reconstruir uma narrativa pública que os favoreça.
A leitura política
O espetáculo midiático promovido pelos vereadores evidencia três pontos claros:
Desalinhamento entre discurso e prática: prometem “salvar o contribuinte” atacando uma lei que praticamente não altera os valores reais do IPTU.
Uso político do processo: a ação judicial é mais um instrumento de disputa política do que de justiça fiscal.
Desinformação da população: ao não mencionar que a origem do aumento é a lei de 2020, a comunicação cria confusão e induz o público a erro.
“Quem criou a regra agora tenta fugir da própria responsabilidade.”
Impacto real
A lei contestada altera a base de cálculo do IPTU, mas o principal fator de elevação continua vigente. Portanto, mesmo uma eventual vitória judicial terá efeito simbólico mais do que real: o cidadão continuará pagando o imposto majorado por legislação anterior.
Enquanto isso, os vereadores se apresentam como defensores do povo, mas agem sobre uma questão marginal e deixam de enfrentar a raiz do problema. “A ação não enfrenta o problema, ela contorna o problema.”
Em Guarantã do Norte, a ação judicial da Câmara mostra que a politicagem ainda domina o Legislativo local. Ataques midiáticos e ações formais funcionam como cortina de fumaça, enquanto a população assiste, impotente, ao conflito político se sobrepor à gestão responsável. No final, o IPTU sobe mesmo, e a politicagem dos vereadores continua rendendo espetáculo, mas sem soluções efetivas.